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Por Cristiane Almeida A partir de uma reflexão recente, fica claro que o próximo […]
A partir de uma reflexão recente, fica claro que o próximo passo do ESG passa pela maturidade do Terceiro Setor. A agenda ESG nas empresas está passando por uma transformação importante.
O que antes era conduzido, muitas vezes, por uma visão mais idealista, passa agora a assumir um papel cada vez mais pragmático — conectado à estratégia de negócio e à geração de valor.
Deixa de ser uma agenda impulsionada apenas por propósito ou pressão externa e passa a ser incorporado à lógica central das organizações, orientando decisões, mitigando riscos e contribuindo diretamente para a sustentabilidade dos negócios no longo prazo.
Diante dessa evolução, surge uma pergunta inevitável: 👉 o que essa nova fase do ESG significa para o terceiro setor?
Durante muitos anos, o investimento social corporativo foi estruturado com base em afinidade com causas, visibilidade institucional, relações territoriais ou uso de incentivos fiscais. Esse modelo foi fundamental para o desenvolvimento de inúmeras iniciativas relevantes conduzidas por organizações da sociedade civil no país. No entanto, à medida que o ESG passa a ser tratado como estratégia, esse formato começa a revelar suas limitações.
O terceiro setor ocupa um papel essencial dentro da agenda social do ESG. São as organizações da sociedade civil que desenvolvem e testam, na prática, inovações sociais cada vez mais relevantes para o mundo corporativo — seja na promoção da inclusão produtiva, no fortalecimento do empreendedorismo, na geração de renda ou no engajamento de públicos internos e externos. Ao mesmo tempo, operam diretamente nos territórios, acessam populações vulneráveis e implementam iniciativas que geram transformação social. Em grande medida, são essas organizações que tornam possível a materialização do “S” do ESG.
Isso significa que a relação entre empresas e organizações sociais não pode mais ser compreendida como uma dinâmica assistencial ou periférica. Trata-se, na verdade, de uma relação estratégica.
Quando bem estruturadas, as parcerias entre empresas e organizações sociais geram valor para ambos os lados. Empresas ampliam sua capacidade de gerar impacto social com legitimidade, fortalecem sua agenda ESG e reduzem riscos reputacionais. Organizações sociais, por sua vez, acessam recursos, ampliam sua escala de atuação e, ainda que de forma limitada, criam condições para avançar em sua sustentabilidade institucional — aspecto que, na prática, ainda recebe pouca atenção no modelo predominante de investimento social.
No entanto, essa relação de ganha-ganha depende de um elemento central: confiança.
E confiança, nesse contexto, não é construída apenas com boas intenções ou boas causas. Ela depende da capacidade institucional das organizações de operar com transparência, responsabilidade e consistência ao longo do tempo.
É justamente nesse ponto que emerge um desalinhamento estrutural no modelo atual do terceiro setor. A maior parte dos recursos destinados às organizações sociais é direcionada à execução de projetos, enquanto muito pouco é alocado para o fortalecimento institucional dessas organizações.
Espera-se que operem com profissionalismo, que prestem contas com transparência, que gerenciem riscos e que demonstrem resultados — mas raramente se financia a estrutura necessária para que essas capacidades sejam desenvolvidas de forma consistente.
Esse paradoxo cria vulnerabilidades. Organizações passam a operar sob elevada responsabilidade, mas com estruturas limitadas de governança, controles internos e gestão de riscos. E, em um ambiente onde o ESG passa a ser tratado de forma cada vez mais estratégica, essas fragilidades deixam de ser aceitáveis.
Ao mesmo tempo, as empresas também evoluem na forma como avaliam suas parcerias. A realização de processos de due diligence, embora importante, já não é suficiente para garantir segurança. Essas análises tendem a olhar para o passado da organização, mas não necessariamente para sua capacidade de sustentar boas práticas ao longo do tempo.
A ausência de governança estruturada, de conselhos atuantes, de controles internos e de mecanismos de transparência contínua mantém a exposição a riscos, mesmo após processos formais de due diligence, que, em geral, se concentram na verificação de aspectos históricos e legais.
Nesse novo contexto, a exigência aumenta. Empresas passam a buscar previsibilidade, consistência e capacidade de execução ao longo do tempo — atributos que dependem diretamente da qualidade da governança das organizações parceiras.
Nesse cenário, a governança passa a ocupar um papel central. Não como um elemento de burocratização, mas como a base que sustenta a confiança. Governança, no terceiro setor, significa estabelecer estruturas e práticas que assegurem a qualidade das decisões, o uso responsável dos recursos e a capacidade de mitigar riscos institucionais.
É o que permite que organizações operem de forma consistente, independentemente de mudanças de contexto, liderança ou financiamento.
À medida que o ESG se consolida como parte integrante da estratégia das empresas, a governança deixa de ser um diferencial e passa a ser um pré-requisito para a construção de parcerias mais maduras e sustentáveis.
Esse novo cenário não reduz o papel do terceiro setor — ele o amplia. Mas essa ampliação vem acompanhada de uma exigência maior de maturidade institucional.
O desafio está em evoluir na dimensão de gestão, transparência e governança. A oportunidade está em ocupar, de forma mais estratégica, o papel que já exerce na prática: o de agente fundamental na implementação da agenda social do ESG.
Para que isso aconteça, será necessário repensar modelos. O fortalecimento institucional não pode depender exclusivamente da capacidade individual de cada organização, sob o risco de se tornar inviável. Novas abordagens, baseadas em estruturas compartilhadas, critérios claros e processos contínuos de evolução, tornam-se essenciais para viabilizar esse avanço de forma acessível e escalável.
O ESG não está perdendo força. Está se tornando mais exigente, mais conectado à realidade dos negócios e mais orientado a resultados.
Nesse novo cenário, o terceiro setor não perde relevância — ao contrário, torna-se ainda mais central. Mas essa centralidade exige preparo.
Impacto social consistente não depende apenas de boas iniciativas. Depende de instituições capazes de sustentar esse impacto ao longo do tempo, com transparência, responsabilidade e capacidade de adaptação.
Governança não é custo. É o que sustenta o impacto quando o entusiasmo passa.
A questão que se coloca, portanto, não é mais se as empresas devem se conectar ao terceiro setor — mas como garantir que essas conexões sejam, de fato, estruturadas para gerar valor, mitigar riscos e sustentar impacto no longo prazo.
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