A crise da confiança e o futuro da cultura de doação - Escola Aberta do 3º Setor

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“Vivemos a era da hiperconexão.

“Nunca estivemos tão acessíveis, expostos e informados. Paradoxalmente, vivemos um tempo marcado pelo enfraquecimento dos vínculos, pela polarização e por uma crescente desconfiança em relação às instituições e às próprias relações humanas.

“O maior desafio da cultura de doação hoje não é financeiro. É humano e relacional. Porque doar exige confiança. E confiança não nasce espontaneamente. Ela é construída — e constantemente mantida — por meio da transparência, da coerência, da ética, da comunicação, da escuta, da empatia, da participação e da experiência coletiva.

“Não existe cultura de doação sem cultura de confiança.

“Nos últimos anos, acompanhamos o crescimento de debates importantes sobre filantropia, investimento social privado e fortalecimento da sociedade civil. Ao mesmo tempo, vemos aumentar a sensação de isolamento, a dificuldade de construir consensos e a tendência de enxergar o mundo a partir de perspectivas cada vez mais individualizadas.

“Isso impacta diretamente a forma como nos relacionamos com as causas sociais.

“Ninguém cuida do que não conhece. Ninguém se compromete profundamente com aquilo que não compreende. E dificilmente alguém apoia aquilo em que não confia.

“Talvez por isso a comunicação de causas seja muito mais do que divulgação institucional. Comunicar, no Terceiro Setor, é construir vínculo, legitimidade e pertencimento. É criar pontes entre pessoas, organizações e territórios. É transformar organizações sociais em espaços de relação humana — e não apenas em executoras de projetos.

 

Trecho de artigo produzido por Julia Caldas de Almeida, Relações Públicas, estrategista e articuladora intersetorial para impacto socioambiental, fundadora e CEO da Ubuntu Impacto Social, cofundadora do Grupo Egrégora – Inteligência Coletiva para o Desenvolvimento Territorial, líder do Dia de Doar em Minas Gerais (#DoaMG) e integrante do Movimento por uma Cultura de Doação. Para ler na íntegra, clique aqui.