Utilizamos cookies para melhorar sua experiência em nosso site. Ao continuar, você concorda e aceita nossa Política de Privacidade.
Se preferir, informe quais cookies você permite utilizarmos clicando aqui.
Cookies são arquivos que auxiliam no reconhecimento do seu acesso ao site. Para personalizar e melhorar sua experiência, sugerir conteúdos de acordo com seu perfil, e facilitando a navegação de forma segura. Abaixo, temos a descrição de quais são os tipos de Cookies que usamos . Caso tenha dúvidas, acesse a nossa Política de Privacidade.
Tipos de Cookies que usamos
Essenciais
Estes cookies são imprescindíveis para a operação do site. A opção de usá-los vem selecionada por padrão, pois sem eles, a navegação fica comprometida e você não consegue aproveitar algumas funcionalidades básicas que o nosso site oferece.
Escola Aberta do Terceiro Setor
Institucional
Cursos EATS
Notícias
Para fazer essa ação você precisar estar logado na plataforma.
Por Silvia Maria Louzã Naccache “Brasil Global: o futuro da gestão é humano.” Esse […]
Por Silvia Maria Louzã Naccache
“Brasil Global: o futuro da gestão é humano.” Esse foi o tema do CONARH 2026, o maior congresso de gestão de pessoas da América Latina, realizado entre 18 e 20 de agosto no São Paulo Expo. Entre debates sobre inteligência artificial, novas gerações e produtividade, um ponto atravessou a programação: a saúde mental como parte central da estratégia de gestão de pessoas — não mais como benefício isolado, mas como parte de como o trabalho é desenhado.
Não é coincidência. Desde 26 de maio de 2026, está em vigor a atualização da NR-1, norma do Ministério do Trabalho que trata da segurança e da saúde no ambiente de trabalho. Pela primeira vez, os riscos psicossociais — pressão excessiva por metas, assédio moral, sobrecarga, jornadas exaustivas — passam a ter o mesmo status normativo dos riscos físicos, químicos e biológicos. A saúde mental deixou de ser apenas “pauta de RH” e virou exigência legal.
Na prática, toda empresa com empregados regidos pela CLT passa a ser obrigada a identificar, avaliar e controlar esses fatores dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Descumprir a norma pode gerar autuação, multa administrativa e até respaldar responsabilização judicial em casos de omissão comprovada.
Por que essa mudança chegou agora
O contexto ajuda a explicar a urgência da norma. Só em 2025, a Previdência Social concedeu mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais — o maior número da série histórica. E o foco da nova NR-1 não está no indivíduo isoladamente: está na forma como o trabalho é organizado. A pergunta que toda empresa precisa se fazer agora é simples: nossa rotina de trabalho adoece ou protege?
O que muda, em três pontos
O que mais o CONARH 2026 colocou na mesa
Três frentes de discussão do congresso dialogam diretamente com o que a nova NR-1 exige das empresas:
O recado dos debates foi convergente com o da própria norma: gestão de pessoas, hoje, não é mais possível sem colocar saúde mental e segurança psicológica no centro da estratégia.
Fazer o bem também faz bem para quem faz
É aqui que entra um dado que vale trazer para essa conversa: ajudar o outro também protege quem ajuda.
Pesquisas mostram que o voluntariado regular reduz sintomas de ansiedade e depressão, aumenta a satisfação com a vida e fortalece o senso de propósito. O cérebro reage a atos de ajuda de forma parecida a outras recompensas sociais: há liberação de dopamina, serotonina e endorfina — o que a literatura chama de helper’s high, a euforia de quem ajuda. O resultado prático é menos estresse, mais conexão social e mais autoconfiança.
O voluntariado corporativo como estratégia de bem-estar
Esse benefício não é teórico — ele aparece nos números. Segundo a edição 2026 da Pesquisa Voluntariado no Brasil, realizada com exclusividade por Silvia Naccache e Datafolha, o país tem hoje cerca de 60 milhões de voluntários ativos, o maior patamar da série histórica iniciada em 2001. Desse universo, 9% chegou à prática voluntária por meio de programas corporativos — uma “porta de entrada” que já rivaliza em relevância com a atuação via organizações da sociedade civil. Ou seja: quando a empresa estrutura um programa, ela não está apenas oferecendo um benefício simbólico — está ampliando, de forma mensurável, o acesso das pessoas a uma prática associada a mais saúde mental e bem-estar.
Colaboradores engajados em programas de responsabilidade social costumam relatar mais satisfação no trabalho e menor intenção de sair da empresa. O voluntariado em grupo também fortalece vínculos entre colegas e reforça o senso de pertencimento à organização. Ele não substitui a gestão de risco psicossocial exigida por lei — mas pode funcionar como um fator real de proteção, quando bem desenhado.
E o “quando bem desenhado” importa bastante. A própria pesquisa alerta: se o voluntariado vira obrigação disfarçada, ou mais uma tarefa em cima de uma agenda já sobrecarregada — especialmente para perfis mais competitivos —, o efeito pode se inverter. Em vez de alívio, ele passa a gerar o mesmo conflito entre trabalho e vida pessoal que a NR-1 pede para prevenir.
O reconhecimento que estimula: prêmios que valorizam o voluntariado
Se a lei obriga e o congresso debate, os prêmios de gestão de pessoas cumprem um terceiro papel, talvez o mais silencioso de todos: reconhecer publicamente quem já faz isso bem. E reconhecimento não é só simbólico — é o que sustenta e multiplica boas práticas dentro das empresas.
Desde 1993, o Prêmio Ser Humano (ABRH Brasil) e o Top Ser Humano (ABRH-RS) dão visibilidade nacional e regional a iniciativas de gestão de pessoas com impacto social, incluindo diversos programas de voluntariado empresarial. Na mesma linha, o Top Cidadania, criado em 2001 pela ABRH-RS, reconhece especificamente ações sociais das organizações na comunidade gaúcha. Tive a experiência de atuar como avaliadora tanto do Prêmio Ser Humano quanto dos projetos inscritos na edição 2025 do Top Ser Humano, que premiou 61 cases — um processo que mostra de perto como o reconhecimento público funciona como combustível para essas iniciativas continuarem existindo, crescerem e inspirarem outras empresas a fazer o mesmo.
Cinco passos para programas de voluntariado que geram bem-estar
O CONARH 2026 mostrou que esse debate já é central na agenda do RH. A nova NR-1 obriga as empresas a mapear o que adoece. E os prêmios provam, ano após ano, que já existem empresas construindo o que protege. Falta então a parte prática: como transformar essa intenção em um programa que realmente gere bem-estar e alegria — e não mais uma tarefa na agenda.
________________________
Fontes: TRT da 4ª Região, Tribunal Superior do Trabalho (TST), Migalhas, ABRH Brasil, ABRH-RS, Pesquisa Voluntariado no Brasil 2026