Rede JP oferece formação em segurança digital para mulheres nas eleições - Escola Aberta do 3º Setor

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A Rede de Jornalistas Pretos pela Diversidade na Comunicação (Rede JP) abre, em 15 de julho, as inscrições para a nova edição da Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (REPCONE). O programa vai selecionar 30 mulheres da América Latina – entre jornalistas, ativistas, lideranças comunitárias e pesquisadoras – para uma formação voltada à segurança digital em meio à crescente violência política de gênero e raça na internet, especialmente em um ano marcado por eleições.

A iniciativa acontece em um contexto de forte crescimento das denúncias de violência de gênero no ambiente digital. Dados do Ministério das Mulheres mostram que, entre janeiro e maio deste ano, a Central de Atendimento à Mulher registrou 16.725 denúncias do tipo, um salto de 188,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram 5.795 registros.

Quatro aulas e acompanhamento contínuo

O eixo central da REPCONE é a formação: as participantes selecionadas terão acesso a quatro aulas virtuais sobre segurança digital, resposta a incidentes, proteção de dados e enfrentamento à desinformação, com acessibilidade em Libras e tradução para português e espanhol.

Além das aulas, o programa prevê oficinas presenciais no Rio de Janeiro e no Peru com organizações parceiras, apoio psicossocial e orientação jurídica especializada, protocolos de resposta rápida a ataques coordenados e assédio online, e mini grants para que as participantes repliquem o conhecimento adquirido em seus territórios.

A prioridade de seleção é para candidatas que atuam em contextos de maior risco e invisibilidade estrutural, um critério que reflete o perfil das principais vítimas de violência política online no país. Segundo o estudo “Regime de ameaça: a violência política de gênero e raça no âmbito digital”, divulgado pelo Instituto Marielle Franco em agosto de 2025, mulheres negras, pessoas LGBTQIA+, populações periféricas, defensores de direitos humanos e ativistas estão entre os principais alvos desse tipo de ataque no Brasil.

A primeira edição da REPCONE, lançada em agosto de 2025, formou 50 mulheres e alcançou uma estimativa de 17,1 milhões de pessoas.

Lançamento da Latinas IA

A nova edição também marca o lançamento da Latinas IA, agente digital que vai oferecer suporte 24 horas a mulheres em situação de vulnerabilidade. A ferramenta funciona como um ambiente integrado de orientação, reunindo fontes verificadas, conteúdos de checagem e guias práticos de segurança digital adaptados a diferentes contextos de risco, além de facilitar o contato com redes de apoio, especialistas e organizações parceiras.

Desenvolvida em parceria com o Meedan e operada pela Suwali, a plataforma segue em processo contínuo de aprimoramento. Para Marcelle Chagas, coordenadora geral da Rede JP e idealizadora da REPCONE, a iniciativa nasce para preencher uma lacuna deixada por ferramentas de IA que não refletem a realidade das mulheres latino-americanas.

“Nos últimos anos, percebemos que os ataques se tornaram mais coordenados e rápidos. Por isso, além da formação, buscamos criar uma estrutura permanente de apoio para que essas mulheres não enfrentem a violência digital sozinhas”, afirma Marcelle.

Cartilha sistematiza experiências da primeira edição

Como resultado do primeiro ciclo de formação, a REPCONE lançou em dezembro de 2025 a cartilha “Proteção Digital para Comunicadoras Negras na América Latina”, produzida com a colaboração de especialistas como Sofía Carrillo, coordenadora da Red de periodistas afrolatinos. O material reúne orientações práticas sobre vazamento de dados, perseguição, assédio e desinformação coordenada, além de defender que a violência digital seja compreendida como parte das desigualdades estruturais de raça e gênero.

Como participar

As inscrições para a edição de 2026 da REPCONE abrem em 15 de julho, durante o Mês Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, pelo link: REPCONE 2026.

(Redação ONG News)