Capital paciente para startups. Expectativas irreais para organização sociais. - Escola Aberta do 3º Setor

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“Não sou grande fã de ficar comparando lógicas do setor privado com as práticas de organizações de terceiro setor. Mas vindo de uma trajetória de mais de 10 anos ligada ao investimento social privado, uma pergunta tem me encucado cada vez mais: por que empresas doadoras esperam das OSCs muito mais do que elas (ou startups financiadas por elas) seriam capazes de entregar?

“No mercado privado, uma empresa precisa não só de clientes, mas também de tempo para encontrar seu modelo de negócio, contratar pessoas, testar processos, investir em tecnologia, construir uma marca, consolidar cultura, atingir metas e aprender com os erros.

“Para atingir break-even (ponto de equilíbrio entre custos e despesas) ou até mesmo começar a dar retorno financeiro para investidores, ninguém estranha e na verdade espera-se que se levem anos. No universo das startups, a expressão “vale da morte” existe justamente para descrever o período em que empresas ainda estão construindo seu modelo e não alcançaram o equilíbrio financeiro.

“Qualquer projeto de mudança de cultura ou mercado de uma empresa tem dois fatores primordiais: dinheiro e tempo. Mas aí, quando se fala das organizações sociais que pleiteiam doações das mesmas empresas que enfrentam esses desafios ou financiam centenas de startups com capital paciente, a régua frequentemente é muito mais alta.

“Estudo fresquinho realizado pela Plataforma Conjunta, o “Panorama Conjunta 2025-2026: oportunidades de formação e captação de recursos para o desenvolvimento institucional das OSCs no Brasil”, destaca que 63% das oportunidades mapeadas têm duração de até 12 meses, apenas 8% apontam possibilidade de renovação e recursos livres e flexíveis ainda representam só 18%. (…)”

 

Trecho de artigo produzido por Ana Clara Leite, graduada em gestão de políticas públicas, pós-graduada em gestão de negócios, especialista em investimento social privado e integrante do Movimento por uma Cultura de Doação. Para ler na íntegra, clique aqui.