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O Instituto SemeArtes Culturais realiza, no domingo 5 de abril, a partir das 9h, uma cerimônia de troca de corda de capoeira com crianças e adolescentes imigrantes — em sua maioria bolivianos — atendidos pelo projeto social Ginga Bolívia. O evento, que acontece no Brás (centro), marca um dos ritos mais simbólicos desta prática, reunindo mestres, famílias e a comunidade. O público de todas as idades está convidado a assistir a cerimônia, de forma gratuita e sem necessidade de inscrição prévia.
Na capoeira, a troca de corda representa o reconhecimento da evolução do praticante. Diferentemente de outras artes marciais, o processo envolve não apenas habilidade técnica, mas também compreensão da história, respeito à roda e vínculo com a comunidade. A cerimônia costuma incluir rodas abertas, apresentações e, em muitas situações, o “batizado” de novos alunos que recebem sua primeira graduação e, frequentemente, um apelido dentro da tradição da capoeira.
No Instituto SemeArtes Culturais e Escola Semeartes Capoeira, esse rito ganha um significado adicional. Cerca de 80% de seus alunos são crianças imigrantes latino-americanas que encontram na capoeira um espaço de pertencimento. “Ao aprender uma manifestação cultural brasileira, esses jovens passam a construir pontes entre suas origens e o país onde vivem”, afirma explica Juliana Lima, professora de capoeira e cofundadora da ONG, ao lado do contramestre Rogério Pereira. O casal se conheceu em uma roda de capoeira há onze anos, e transformou a paixão pela arte em um projeto de vida.
Em 2021, abriram a Escola SemeArte Capoeira, e três anos depois o Instituto Semeartes Culturais para oferecer aulas de capoeira a crianças, jovens e adultos. As aulas são abertas a qualquer pessoa a partir dos 4 anos, e o valor é uma taxa simbólica para manutenção e compra dos uniformes.
De 2024 até hoje, a organização já realizou mais de 160 oficinas e vivências culturais, desenvolvendo nos participantes o sentimento de acolhimento pela cidade de São Paulo por meio do jogo de capoeira. Além das aulas regulares, oferecidas a preços subsidiados ou com bolsas integrais, o trabalho da ONG inclui apresentações, campeonatos inclusivos e o “Circuito Cultural para Imigrantes”, com visitas guiadas e atividades mensais pela cidade.
“A troca de corda também se conecta a esse esforço mais amplo de inserção social. Ao participar da cerimônia, os alunos não apenas avançam na prática da capoeira, mas passam a ocupar um lugar reconhecido dentro de uma comunidade — elemento central para quem vive o desafio da migração”, acrescenta Juliana.
O ritual acontece dentro da roda, com berimbau, cantos e participação coletiva. Os alunos são chamados, recebem o novo cordão e, em seguida, jogam com um mestre ou padrinho — figura que acompanha sua trajetória — demonstrando o que aprenderam. O ambiente é marcado pela energia e a coletividade da prática.
Além da confraternização, nesta ocasião, o público poderá participar de uma oficina aberta de capoeira com o Mestre Babalu, ampliando o contato com a prática e seus fundamentos. O projeto foi contemplado pela Edição do Programa Municipal de fomento à Capoeira de São Paulo – Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.
(Assessoria de Imprensa)