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15 de Janeiro 2026 Por Crosspact Consulting (Fernanda Quintas & Hugo Pedro Guornik) Entramos […]
15 de Janeiro 2026
Por Crosspact Consulting (Fernanda Quintas & Hugo Pedro Guornik)
Entramos em 2026 em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica, emergência climática, enfraquecimento democrático, retração de políticas públicas o que gera uma pressão crescente sobre a sociedade civil organizada. E esse contexto de policrise não está reduzindo o papel da filantropia internacional. Ao contrário, está redefinindo profundamente sua função, seus instrumentos e suas expectativas.
O que temos observado, a partir de leituras recentes e do acompanhamento direto de debates internacionais no campo filantrópico, é que a filantropia global está em transição, deixando de operar prioritariamente como financiadora de projetos isolados e passando a atuar como capital estratégico e urgente em ambientes de alta complexidade e risco sistêmico.
DECISÃO FILANTRÓPICA EM CONTEXTOS DE MAIOR COMPLEXIDADE
Uma das mudanças mais perceptíveis no grantmaking internacional é o reconhecimento de que contextos marcados por instabilidade climática, social e institucional exigem leituras cada vez mais qualificadas do ambiente em que os recursos são alocados. Em cenários complexos, decisões de financiamento deixam de ser exclusivamente técnicas e passam a incorporar, de forma mais explícita, análises de contexto, risco e impacto de longo prazo.
Nesse sentido, fundações internacionais em 2026 tendem a priorizar organizações que demonstrem capacidade de:
Dentro desse quadro, países como o Brasil ganham crescente relevância. Não apenas em função de seus desafios estruturais, mas por seu papel estratégico em agendas globais relacionadas a clima, biodiversidade e desenvolvimento inclusivo. O país passa a ser visto, cada vez mais, como um território-chave para investimentos filantrópicos voltados à estabilidade institucional, à adaptação a riscos sistêmicos e ao fortalecimento da sociedade civil organizada.
MENOS PROJETOS, MAIS INSTITUIÇÕES
Outro deslocamento importante é a valorização do fortalecimento institucional. Há um consenso crescente de que não é possível sustentar impacto em contextos instáveis sem organizações resilientes. Ao mesmo tempo, essa escolha traz tensões relevantes, uma vez que exige maior capacidade de leitura contextual por parte dos financiadores, por ampliar assimetrias de poder se não houver mecanismos claros de escuta e corresponsabilidade, e impõe o desafio de não excluir organizações emergentes ou de base que ainda não apresentam alta maturidade institucional.
Isso tem se traduzido em:
Para organizações brasileiras, isso representa uma mudança de chave: a competitividade no acesso a recursos internacionais passa menos pela “inovação do projeto” e mais pela maturidade institucional, governança, capacidade de leitura de contexto e legitimidade territorial, além de, em muitos casos, se figurarem como benchmarking e referencial de atuação em ambientes que estão mais frágeis institucionalmente. Todos esses componentes, ainda que possam existir e ser a realidade de algumas organizações, não é possível de ser verificado sem uma comunicação que, de fato, comunique – robusta, intencional e comprometida em se fazer entender para os públicos que almeja alcançar ou já alcança.
CAPITAL CATALÍTICO, FINANCIAMENTO HÍBRIDO E COLABORAÇÃO
No cenário internacional, se consolida o uso de capital catalítico e de modelos híbridos de financiamento, como blended finance, instrumentos baseados em resultados, garantias filantrópicas e arranjos que combinam recursos públicos, privados e filantrópicos. Essas abordagens respondem à necessidade de maior escala, coordenação entre setores e uso mais eficiente dos recursos disponíveis. Isso não é novo, claro, mas o debate sobre a governança desse tipo de financiamento deixou de ser um “elefante branco” na sala e passou a ser mais encarada por parte de alguns investidores sociais.
No Brasil, essas abordagens ainda não são predominantes, mas já é possível identificar iniciativas que apontem para maior articulação e colaboração no campo filantrópico, especialmente por combinar alta complexidade social, densidade institucional relevante e capacidade de produção de soluções com potencial de aprendizagem e replicabilidade em escala global.
Nesse contexto, collaborative funds representam uma oportunidade relevante, uma vez que permite que financiadores diluam riscos e compartilhem seus aprendizados. Para organizações da sociedade civil, há a ampliação da previsibilidade, escala e acesso a redes mais amplas. Organizações com capacidade de articulação e atuação em coalizão tendem a se beneficiar mais desse modelo.
CLIMA, DEMOCRACIA E TECNOLOGIA COMO VETORES TRANSVERSAIS
Outro ponto relevante em 2026 é a crescente transversalidade das agendas. Clima já deixou de ser um tema estritamente setorial e passou a atravessar portifólios de educação, saúde, gênero, raça, trabalho e desenvolvimento urbano. De forma semelhante, temas relacionados à democracia, à circulação de informação e à participação cívica passam a ser considerados de maneira mais integrada em diferentes frentes de atuação social.
Além disso, a incorporação desigual de tecnologias, especialmente inteligência artificial e gestão de dados, começa a ser reconhecida como um fator adicional de atenção institucional. Financiadores internacionais passam a observar com mais cuidado aspectos como:
Organizações que conseguem acompanhar esse movimento tendem a ampliar suas possibilidades de diálogo e acesso a recursos no ecossistema internacional de financiamento.
O QUE ISSO SIGNIFICA, NA PRÁTICA, PARA O BRASIL
As oportunidades de grantmaking internacional para organizações brasileiras em 2026 são concretas, mas vêm acompanhadas de um nível maior de exigência. O cenário atual favorece organizações que demonstram solidez institucional, capacidade de adaptação e leitura qualificada de contexto.
De forma geral, tendem a se posicionar melhor nesse ambiente organizações que:
Além da solidez institucional, cresce a expectativa sobre o papel das lideranças das organizações da sociedade civil. Financiadores internacionais passam a observar não apenas a capacidade de execução e entrega de resultados, mas também a habilidade de leitura política do contexto, a gestão de ambiguidade, a condução de processos adaptativos e a disposição para o diálogo estratégico em cenários de alta incerteza.
Como debatido nesta semana, no webinar do National Center for Family Philanthropy sobre tendências da filantropia familiar em 2026, do qual a Crosspact participou, este é um momento que demanda menos perfeccionismo e mais responsabilidade estratégica. Em contextos de policrise, a filantropia passa a ser chamada a exercer um papel catalítico, assumindo riscos que outros tipos de capital dificilmente assumem, com intencionalidade, confiança e horizonte de longo prazo.
O grantmaking internacional não está em retração, está em transformação. Para o Brasil, 2026 se apresenta como uma janela estratégica de acesso a recursos internacionais, desde que organizações estejam dispostas a revisar posicionamentos, fortalecer suas bases institucionais e dialogar com um racional filantrópico mais atento à complexidade, à colaboração e à sustentabilidade do impacto.
Compreender essa transição é parte do processo de adaptação e fortalecimento institucional em um ecossistema de financiamento em transformação. Quando todos estão olhando para si e para seus desafios internos, pode prosperar aquele que conseguir inserir seu impacto numa perspectiva global, comparada.
Referências:
Alliance Magazine
A Guide to Global Philanthropy in 2026
https://www.alliancemagazine.org/analysis/a-guide-to-global-philanthropy-in-2026/
National Center for Family Philanthropy
Webinar: The Evolving Landscape of Philanthropy in 2026: Challenges and Innovations
(Participação da Crosspact no webinar sobre tendências da filantropia familiar 2026)
Foundation Source
2026 Giving Outlook: Resilient Donors Drive Growth Amid Shifts in Philanthropy
https://foundationsource.com/newsroom/press-releases/2026-giving-outlook-resilient-donors-drive-growth-amid-shifts-in-philanthropy/
Funding for Good
Nonprofit Fundraising & Grantmaking Trends
https://fundingforgood.org/nonprofit-fundraising-trends/
Good Grants
Grantmaking Trends for 2026: How to Maximise Impact and Efficiency
https://goodgrants.com/resources/articles/6-grantmaking-trends-for-2026-how-to-maximise-impact-and-efficiency/
SOBRE OS AUTORES
FERNANDA QUINTAS: Advogada, especialista em Direito Público (IBET/SP) e Políticas Sociais (PUC-SP), com formação complementar em Fundraising and Practices (New York University) e Women’s Human Rights (Stanford University). Atua há mais de 18 anos no Brasil e nos Estados Unidos nas áreas de filantropia estratégica, investimento social privado, desenvolvimento institucional, parcerias e captação de recursos nacionais e internacionais. Possui trajetória em organizações como Icla da Silva Foundation, Be the Match Foundation, Brazil Child Health, Comunitas, Instituto C, Instituto Votorantim e Liga Solidária. É cofundadora e diretora da Crosspact Consulting. Morou por 3 anos na cidade de Nova York e desde 2019 reside em St. Louis, no estado do Missouri (EUA).
Contato: fernanda@crosspactconsulting.com
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/fernanda-quintas/
HUGO PEDRO GUORNIK: Mestre e bacharel em Gestão de Políticas Públicas pela USP, com mais de 11 anos de atuação junto a organizações da sociedade civil. Possui experiência em investimento social privado, colaborações institucionais, gestão de projetos, processos e captação de recursos, com passagem por organizações como Instituto de Cidadania Empresarial-ICE, CEATS (FEA/USP), Instituto Arredondar, Comunitas e Liga Solidária. É avaliador do Prêmio Melhores ONGs e cofundador do Grupo de Pesquisas em Parcerias Intersetoriais da EACH-USP. É cofundador e diretor da Crosspact Consulting. Reside na cidade de São Paulo.
Contato: hugo@crosspactconsulting.com
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/hugoguornik/
SOBRE A CROSSPACT CONSULTING
A Crosspact Consulting é uma consultoria especializada em filantropia estratégica, investimento social privado e desenvolvimento institucional, com atuação nos contextos brasileiro e norte-americano. Apoia organizações, institutos, filantropos e lideranças no desenho de estratégias filantrópicas, captação de recursos, estruturação de modelos de governança, fortalecimento institucional, mentoria estratégica e gestão interina, combinando análises, pesquisas e apoio à articulação institucional. Seu propósito é ampliar a qualidade, a inteligência e a sustentabilidade da atuação social no Brasil, promovendo uma filantropia mais profissional, diversa, colaborativa e transformadora, baseada em rigor técnico, visão sistêmica e compromisso com a justiça social.
Linkedin: https://www.linkedin.com/company/crosspact
Site: Em breve