17.12

2013

Visibilidade do país no exterior desperta interesse de investidores em projetos sociais

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A realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016 no Brasil poderá trazer dividendos internacionais também para as organizações do terceiro setor. “O Brasil está em evidência no exterior por conta das competições. Existe um movimento de interesses e recursos vindo”, afirma Karina Ruffo, consultora de Patrocínio do In-Pró (Instituto Movimento Pró-Projetos).

O Europeaid (Cooperação da União Europeia para o Desenvolvimento da América Latina), por exemplo, tem um orçamento de cerca de R$ 1,3 bilhão, no período de 2007-2013, para projetos nas áreas de direitos humanos, energia renovável, combate à droga e redução de pobreza, entre outros.Ruffo diz que o país tem 800 fontes para captar dinheiro –elas somam R$ 65 bilhões por ano, entre leis de incentivo, fundos nacionais, editais privados e editais públicos. “No exterior a gente não consegue mensurar o tamanho”, comenta. Mas ela cita alguns mecanismos disponíveis para busca de captação.

No Reino Unido existem aproximadamente 300 instituições que destinam recursos para projetos realizados no Brasil. Outras fontes para captação são organismos como ONU (Organização das Nações Unidas), Usaid (braço dos EUA para ajuda humanitária), BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e BIRD (Banco Mundial).

“Empresas com atividades nos Estados Unidos podem reverter até 10% do Imposto de Renda devido lá em projetos de responsabilidade social no Brasil. Entre as que utilizam esses recursos estão a Vale e a Embraer. Em 15 dias, o dinheiro está na conta do projeto. A regra principal é que a instituição que vai executar o projeto tenha mais de quatro anos de existência”, conta Ruffo.

Know-how

As entidades brasileiras só não se beneficiam mais desses recursos porque não têm conhecimentos suficientes para buscá-los. “Sempre houve essa dificuldade de identificação das fontes internacionais e pouca ajuda às ONGs nesse acesso, know-how etc. As ONGs mais articuladas sobrevivem melhor”, diz Reinaldo Bulgarelli, coordenador do curso de Gestão para Organizações do Terceiro Setor da Fundação Getúlio Vargas.

Ruffo defende o envolvimento do segundo e do terceiro setores para a captação de recursos internacionais. “Se uma entidade do terceiro setor apresenta um projeto sozinha, é muito mais difícil de ele ser efetivado. É preciso mostrar que tem parceria com governo, com instituições privadas, com outras organizações do terceiro setor. Essa chancela, esse apoio institucional da empresa, é muito importante.”

Ela diz que na União Europeia a instituição não pode entrar com pedido de patrocínio de projeto sozinha, e sim com organizações parcerias. Márcia Pastore, membro-fundadora da ABCR (Associação Brasileira de Captadores de Recursos), corrobora com Ruffo.

Existem recursos internacionais sim, mas o caminho para chegar até eles não é tão fácil. Já trabalhei em instituições nas quais conseguimos recursos por meio de uma outra organização ou de uma pessoa que nos abria a porta, uma indicação.

Ranking

No primeiro semestre deste ano, durante o 6º Congresso Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas) sobre o Investimento Social Privado, a questão das doações internacionais frente à crise foi tema de debate.

“Há uma diminuição pequena [dos recursos], mas não significativa. Não se confirma que a cooperação internacional esteja saindo do país, mas há uma mudança [de estratégia]. Atualmente, o tema ambiental é muito valorizado”, disse Sergio Haddad, do Fundo Brasil de Direitos Humanos, à época.

Bradford Smith, da Foundation Center, afirmou que “quem trabalha as questões de clima não terá problemas [de caixa]”. “Os recursos são orientados para uma estratégia global.”

Segundo Smith, a Ford Foundation lidera o ranking das organizações estrangeiras que mais investem no país. O dinheiro doado destina-se em primeiro lugar para a Fundação Desenvolvimento de Pesquisa. O Instituto Socioambiental aparece na segunda posição.

Fonte: Folha

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