22.06

2018

Fundação Ezute ganha selo antissuborno

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Em meio aos escândalos revelados pela Operação Lava-Jato, parece um alívio que uma organização brasileira receba um selo internacional anticorrupção. A organização é a Fundação Ezute, de São Paulo, e o selo é a norma ISO 37.001, concedida pela QMS, uma certificadora brasileira de origem australiana. A Ezute é a primeira fundação do país a conquistar a certificação, que é bastante recente – no país só foi publicada pela ABNT, responsável pela adoção de normas técnicas, em março do ano passado.
“Há dois anos, o conselho de administração da Ezute decidiu implantar um novo sistema de ‘compliance'”, diz Eduardo Marson, presidente da fundação. “Compliance”, do verbo em inglês “comply”, significa agir dentro das regras, tanto as leis do país quanto as políticas internas de controle. Pouco mais de um ano depois de adotar o sistema, a Ezute deu início ao processo para obter a norma antissuborno e de “compliance”. “Primeiro eles observam os processos por meio de amostragem. Se considerarem a organização apta, fazem uma auditoria profunda”.
Nessa segunda etapa, técnicos passaram uma semana na fundação, com acesso a todos os funcionários. O quadro da Ezute conta atualmente com cerca de 140 pessoas, muitos dos quais são doutores ou mestres.
A Ezute é o que se chama de “honest broker”, uma organização que funciona como repositório de informações críticas, com a responsabilidade de resguardar esses dados e revelá-los a terceiros seguindo os critérios dos contratos fechados.
A fundação atua em uma das partes mais sensíveis do projeto de submarinos da Marinha brasileira, que prevê a construção de quatro submarinos convencionais com tecnologia francesa e mais um com propulsão nuclear, que é mais rápido, maior e capaz de passar mais tempo submerso. Um submarino tradicional comporta 31 pessoas; um nuclear, cerca de 100. A Ezute está cuidando dos sistemas de combate dos submarinos. Durante quatro anos, nove engenheiros ficaram em treinamento na França para fazer a transferência de conhecimento. O cronograma prevê o lançamento do primeiro submarino até o fim do ano.
Nos Estados Unidos, a figura do “honest broker” é mais comum, diz Marson. Um exemplo é a Mitre Corporation, cujas raízes remetem ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT. O papel não é fazer pesquisa pura, como a academia, nem produtos prontos, como a indústria. A atuação está concentrada na fase intermediária, que interliga as duas pontas, como governos e empresas.
A Ezute era originalmente, a Fundação Atech, que integrou os sistemas do Sivam, o sistema de controle e defesa do espaço aéreo da Amazônia. Depois do trabalho feito, houve uma cisão. Paralelamente à fundação, foi criada a Atech S/A, uma empresa comercial, cujo controle integral foi assumido pela Embraer em 2014. A fundação então mudou de nome.
Em casos com finalidades militares, repassar a tecnologia a terceiros depende da aprovação das Forças Armadas. Mas há acordos em que a transferência está prevista desde o início. É o caso do sistema do bilhete único de São Paulo, diz Marson, que foi concebido pela Ezute em 2003 e teve a tecnologia transferida para a Prodam, a empresa de tecnologia do município.
A expectativa, agora, é que a certificação antissuborno – renovável a cada três anos – ajude a Ezute a conquistar mais contratos. “Nossa opção prioritária é trabalhar como poder público e no mundo inteiro há uma tendência de que as compras governamentais exijam um nível de ‘compliance’ maior”, afirma Marson.
Fonte: Valor Econômico
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