17.02

2016

Transparência e Captação de Recursos: andando sempre juntos

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Se você estuda sobre captação de recursos, já deve ter lido sobre a importância do planejamento e da diversificação. Deve também ter visto que captação de recursos requer tempo, investimento e equipe, e que é um processo, e não uma ação pontual. Com certeza já viu que captação de recursos é estratégica para a sustentabilidade das organizações, e também transformadora, viabilizando o cumprimento da sua missão. Mas há algo de que se fala muito pouco, e que é tão importante como o resto: para o sucesso da captação de recursos, transparência é fundamental.

Sim, ser transparente é fundamental e é um dos principais fatores que garantirá o sucesso na captação de recursos das organizações, pois consolida a relação entre elas e seus doadores, e também dela para com toda a comunidade.

E como é que uma organização deve agir, se ela quiser realmente ter a transparência como um valor da sua gestão? Apresento a seguir algumas das dicas mais importantes sobre o tema:

1 – Tem que ter uma página na internet. Toda organização tem que ter um site, simples, mas completo, que disponha das informações mínimas dela, como missão, visão, equipe, formas de contato, etc. Para a captação, além do site, tem que ter também um botão de doação sempre vísivel.

2 – Quem é a equipe da organização? E, principalmente, quem forma o corpo dirigente dela? Todos os doadores devem ter acesso à informação sobre quem dirige a instituição, para que confiem na gestão e na sua liderança. Os nomes dos Conselhos de Administração (ou Deliberativo), Conselho Fiscal e dos Diretores deve constar no site e estar sempre atualizados.

3 – A sua organização tem relatório de atividades anual? Tem que ter, e tem que divulgar. Um relatório de atividades é um documento completo, que mostra as atividades desenvolvidas pela organização e seus resultados alcançados, o perfil do seu público, os seus parceiros, os seus números. E é visualmente bonito. Um relatório de atividades é um documento de prestação de contas para a comunidade e a sociedade, e é também um documento de captação de recursos – serve para que os doadores tenham confiança na organização.

4 – Já vi muitas instituições que se recusam a divulgar seus números financeiros. Usam o argumento de que não podem, que há concorrência, as outras saberiam dos dados delas. Esse argumento é falacioso. Se é uma organização da sociedade civil, que tem finalidade pública – uma causa, um grupo, uma bandeira- não pode pensar desse jeito, tem que ser transparente. E isso significa colocar, pelo menos no site, e no seu relatório de atividades, os números da organização, um Demonstrativo de Resultados do ano, o balanço atualizado. Se eu estou doando, eu quero saber como o meu dinheiro está sendo aplicado, e quero ver que está sendo bem utilizado, para continuar doando mais e mais, e por muito mais tempo.

5 – E há algo muito, muito simples, e que muitas vezes é deixado de lado pelas organizações: tem que manter comunicação direta com seus doadores e com toda a comunidade. Tem que fazer um informativo periódico, mesmo que apenas mensal, mas tem que realmente comunicar com frequência o que a organização está fazendo, como as conquistas obtidas e, às vezes, até as dificuldades superadas. Isso dá legitimidade inclusive para novos pedidos de doação, quando a organização precisa reforçar o seu trabalho de captação e ampliar os recursos. E, como já diria Chacrinha, “quem não se comunica se estrumbica”, e a comunicação pode ser feita via boletins eletrônicos, jornais, revistas, informativos semanais, etc.

Muito bem. Site, conselhos, relatório de atividades, balanços e informativos periódicos. Cinco importantes ações que uma organização tem que desenvolver para ser transparente para com seus doadores e a comunidade. Cinco ações que vão torná-la mais forte e preparada para ampliar sua captação de recursos, e conseguir impactar ainda mais o país de forma permanente e sustentável. Não dá para fugir delas, não dá para não ser transparente no Terceiro Setor. É pressuposto, é obrigação. E é o que querem a comunidade e os doadores, e por isso tem que ser prioridade também dos captadores.


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João Paulo Vergueiro, Diretor Executivo da ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos, administrador e mestre em administração, professor assistente na FECAP e Coordenador do Grupo de Excelência de Administração do Terceiro Setor, do Conselho Regional de Administração de São Paulo – abcr@captacao.org.

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