01.08

2016

Indivíduos e Empresas

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Uma das máximas da captação de recursos, um dos princípios que disseminamos, é a importância da diversificação das fontes de receita. Uma organização da sociedade civil não pode ser dependente de um único doador, ou de poucos financiadores, não pode jamais se encontrar em posição de tamanha vulnerabilidade que, ao cessar aquela fonte, ela sofra um impacto financeiro tão grande que a impeça de continuar atuando e cumprindo sua missão.

É, muito em parte pela importância que acreditamos ter a diversificação das fontes, que sempre damos uma ênfase considerável, aqui, em nossos eventos, cursos, palestras, na captação com indivíduos.

A população brasileira doou, ano passado, 13 bilhões e 700 milhões de reais para as organizações brasileiras. É um número gigantesco, e que salta aos olhos quando comparado com outra fonte importante, as empresas.

Segundo a última notícia publicada pelo GIFE, o investimento social corporativo das empresas brasileiras foi de quase 4 bilhões de reais em 2014. A maior parte desse recurso, segundo o próprio Censo GIFE, não é doado para organizações da sociedade civil (OSCs), é investido diretamente.

Essa realidade – indivíduos doam muito mais às OSCs que as empresas – não é exclusiva do Brasil, e se verifica no mundo todo. Nos Estados Unidos, indivíduos doam 16 vezes mais que as empresas, no total do ano, e na Inglaterra, outro exemplo, empresas são responsáveis por somente 2% de toda a receita das organizações.

Isso significa que devemos desconsiderar a importância da doação das empresas como parte da estratégia de captação de recursos da nossa instituição? Jamais! E, portanto, continuaremos sempre abordando o tema aqui e em nossas atividades.

Mas significa sim que devemos entender que a diversificação das fontes de receita deve ser um princípio da captação das organizações, e que nenhuma fonte doadora pode, per si, ser considerada uma panacéia que vai resolver sozinha os problemas do financiamento da organização (e isso inclui também não ser dependente jamais só de recursos públicos).

Conhecer o setor, conhecer as fontes, desenvolver estratégias e diversificar. São alguns dos pontos importantes para garantir a sustentabilidade financeira de qualquer organização. É disso (e muito mais) que trata a captação de recursos.


JoãoPaulo-199x165João Paulo Vergueiro é diretor executivo da ABCR, Associação Brasileira de Captadores de Recursos, professor da FECAP e coordenador voluntário do curso Captação de Recursos no Terceiro Setor da Escola Aberta do Terceiro Setor.

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