Utilizamos cookies para melhorar sua experiência em nosso site. Ao continuar, você concorda e aceita nossa Política de Privacidade.
Se preferir, informe quais cookies você permite utilizarmos clicando aqui.
Cookies são arquivos que auxiliam no reconhecimento do seu acesso ao site. Para personalizar e melhorar sua experiência, sugerir conteúdos de acordo com seu perfil, e facilitando a navegação de forma segura. Abaixo, temos a descrição de quais são os tipos de Cookies que usamos . Caso tenha dúvidas, acesse a nossa Política de Privacidade.
Tipos de Cookies que usamos
Essenciais
Estes cookies são imprescindíveis para a operação do site. A opção de usá-los vem selecionada por padrão, pois sem eles, a navegação fica comprometida e você não consegue aproveitar algumas funcionalidades básicas que o nosso site oferece.
Escola Aberta do Terceiro Setor
Institucional
Cursos EATS
Notícias
Para fazer essa ação você precisar estar logado na plataforma.
“Peço licença aos etnógrafos de ofício para começar como eles começam: pelo registro de campo. […]
“Peço licença aos etnógrafos de ofício para começar como eles começam: pelo registro de campo. Não levei caderno nem gravador, apenas a atenção difusa de quem circula por território alheio e uma inquietação que só mais tarde reconheci como dado de pesquisa. O que segue é uma etnografia involuntária, reconstruída a posteriori, com as imprecisões que a memória impõe e a honestidade que o tema exige.
“O convite era para integrar um grupo de organizações da sociedade civil numa jornada de visitas a espaços de São Paulo, com o propósito declarado de aproximação: conhecer de perto o que essas empresas e organizações faziam, o que valorizavam e como se relacionavam com a sociedade civil. Havia, contudo, algo de expedição naquele deslocamento. Atravessávamos a cidade, em sua maioria gestores de organizações sociais de base, para adentrar outro regime de sociabilidade, com seus códigos de vestimenta, seus crachás, suas salas envidraçadas e seu vocabulário próprio. Éramos, em alguma medida, estrangeiros convidados.
“Numa das paradas, chegamos a uma multinacional com operação em mais de 40 países e mais de oito mil funcionários, uma escala que se fazia sentir na arquitetura, no ritmo dos corredores, na forma protocolar das apresentações. Um dos diretores exibiu o vasto e milionário portfólio internacional e, com a mesma empolgação, apresentou a área de “responsabilidade social”, ainda em construção. Foi aí que passou a pautar as organizações presentes. Com a desenvoltura de quem discorre sobre o próprio território, afirmou que não deveriam bater à porta das empresas pedindo dinheiro, porque, nesses termos, não haveria doação, sobretudo ali. O caminho adequado seria apresentar projetos aprovados em leis de incentivo, modalidade para a qual a empresa, sim, dispunha de meios. E seguiu delineando condutas e apontando equívocos, como se lhe fosse familiar à gramática cotidiana de uma organização social.
“A irritação foi imediata, dessas que sobem pela garganta e que a civilidade obriga a conter. Sob ela, porém, formou-se uma convicção igualmente imediata: eu precisava conversar com aquele homem. (…)”