Como estruturar propostas de valor para parcerias entre OSCs e empresas - Escola Aberta do 3º Setor

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“À medida que cresce o reconhecimento do papel transformador das organizações da sociedade civil, torna-se cada vez mais importante desenvolver relações de confiança e cooperação com o setor privado, ampliando o impacto social e as possibilidades de mobilização de recursos para todos os envolvidos.

“De fato, as empresas não buscam apenas “apoiar causas”; elas procuram conexões estratégicas que dialoguem com seus valores, fortaleçam sua reputação e, cada vez mais, gerem impacto mensurável. É nesse ponto que a proposta de valor das OSCs se faz decisiva.

“A construção de parcerias bem-sucedidas vai além da sensibilização em torno da relevância social de uma causa. Ela passa pela identificação de objetivos convergentes e pela criação de valor compartilhado para empresas, organizações e sociedade. Embora o propósito seja fundamental, ele não é suficiente. O que diferencia uma proposta eficaz é a capacidade de traduzir impacto social em valor compartilhado.

“Isso exige uma mudança de chave: sair da lógica da captação pontual e avançar para uma abordagem estruturada, que considere as necessidades, interesses e prioridades da empresa parceira.

“Antes de qualquer abordagem, é preciso compreender que empresas operam com objetivos claros — sejam eles ligados à marca, ao engajamento de colaboradores, à agenda ESG ou à presença em determinados territórios. Ignorar isso é comprometer a parceria desde o início.

“Uma proposta de valor consistente começa com o alinhamento estratégico entre a organização da sociedade civil e a empresa parceira. Esse enquadramento envolve identificar organizações cujos valores, propósito e áreas de atuação dialoguem com a causa defendida pela OSC; compreender os objetivos institucionais da empresa (como fortalecimento da reputação, posicionamento em agendas ESG e relacionamento com stakeholders); avaliar a convergência entre os públicos de interesse de ambas as partes e mapear oportunidades de atuação conjunta capazes de gerar benefícios mútuos, ampliando o impacto social e o valor compartilhado da parceria.

“Esse primeiro movimento evita parcerias artificiais, que até podem gerar recursos no curto prazo, mas dificilmente se sustentam.

“Outro ponto crítico é a construção das contrapartidas.

“Empresas buscam experiências, narrativas e resultados. Por isso, as contrapartidas precisam ser pensadas de forma ampla e inteligente, por meio de:

– Programas de voluntariado corporativo conectados à atuação da OSC.
– Relatórios de impacto personalizados, que possam ser utilizados em comunicações institucionais.
– Produção de conteúdo conjunto (cases, vídeos, campanhas).
– Ações de engajamento com colaboradores e clientes.
– Participação em eventos, visitas técnicas ou imersões nos projetos apoiados.
– Ao oferecer contrapartidas mais robustas, a organização deixa de ser apenas uma beneficiária e passa a atuar como parceira estratégica.

“Mas uma boa proposta não se sustenta apenas na promessa. Ela precisa demonstrar capacidade de execução e, sobretudo, de mensuração. Empresas querem saber o que mudou a partir do investimento realizado. (…)”

 

Trecho de artigo produzido por Thaís Ianarelli, diretora-executiva da Rede Filantropia. Para ler na íntegra, clique aqui.