Projeto Pedagógico

PROJETO PEDAGÓGICO INSTITUCIONAL

1. APRESENTAÇÃO

O Projeto Pedagógico Institucional – PPI tem como finalidade definir as diretrizes que nortearão as ações pedagógicas na elaboração dos cursos on-line, na modalidade de Educação a distância, que se caracteriza finalidade da Fundação Escola Aberta do Terceiro Setor.

Trata-se de importante instrumento de definição das políticas para a organização didático-metodológica da Fundação Escola Aberta do Terceiro Setor, garantindo que suas ações estejam voltadas para a consecução de sua missão e de seus objetivos.
Por tratar das diretrizes da atividade fim da Fundação Escola Aberta do Terceiro Setor, o curso AGENTE DO TERCEIRO SETOR, a PPI tem caráter estratégico nas ações das equipes administrativas e pedagógicas para o cumprimento da missão do referido ente fundacional.

As práticas pedagógicas aqui detalhadamente descritas foram elaboradas para estar em perfeita consonância com o conjunto de valores que a instituição estabelece e assume para si, bem como com as leis que regem a Educação Formal e Informal do nosso país, bem como seus preceitos de ética e respeito ao indivíduo.

Este documento apresenta a filosofia de trabalho, a missão a que se propõe a ESCOLA ABERTA DO TERCEIRO SETOR, as diretrizes pedagógicas que devam orientar suas atividades acadêmicas, de modo a se tornar uma instituição comprometida com a mudança, com o senso de cidadania e melhoria profissional dos agentes do Terceiro Setor.

1.1       OBJETIVOS

1.1.1      Objetivos Gerais
Oferecer cursos modulares de ensino a distância que capacitem os profissionais para administrar organizações do Terceiro Setor, com senso de oportunidade empreendedora, sem perder de vista a percepção do processo de desenvolvimento socioeconômico, cultural e político da sociedade em que estão inseridos.

Compartilhar conhecimentos e experiências de professores, profissionais do Terceiro Setor, do Estado e do Mercado, para um público mais amplo, rompendo barreiras geográficas encontradas na modalidade de ensino presencial.

1.1.2      Objetivos do Curso
Atualizar os participantes em relação aos principais desafios de gestão do Terceiro Setor, apresentando conceitos, técnicas e ferramentas necessárias para realizar a administração de organizações sem fins lucrativos, dedicando-se ao trabalho de forma ética e com espírito público.

1.1.3      Objetivos Educacionais

A ESCOLA ABERTA tem como objetivos primordiais:

  • Apoiar a formação de agentes do Terceiro Setor generalistas, com espírito público, capazes de dominar as competências e habilidades de sua área de atuação.
  • Promover a capacitação do corpo técnico/administrativo das entidades do Terceiro Setor, buscando não só a melhoria dos serviços prestados por esses profissionais, mas também o crescimento profissional daqueles que fazem parte dessas instituições.

1.2        Princípios norteadores para o desenvolvimento dos cursos

1.2.1      Diretrizes para desenvolvimento dos conteúdos:
Considerando o Curso Agente do Terceiro Setor como parte de uma proposta de formação integral do indivíduo, seu desenvolvimento é norteado pelas seguintes diretrizes:

  • Capacitar para a cidadania;
  • Estimular o conhecimento e o empreendedorismo;
  • Promover a formação de profissionais comprometidos com a qualidade, o desenvolvimento do seu campo de atuação e a responsabilidade com as questões sociais, capazes de se adaptarem às mudanças que se verificam no mundo;
  • Contribuir para que o agente do Terceiro Setor possa modernizar os processos de trabalho e estrutura organizacional de desenvolver ações que permitam a interação do conhecimento com a prática;
  • Promover a formação humanística do cidadão com capacidade reflexiva e crítica perante a sociedade, o Estado e o Mercado;
  • Conservar e difundir valores éticos, notadamente, de liberdade, igualdade, solidariedade e democracia.

1.2.2      Competências e Habilidades
Levando em conta os elementos do cenário atual do Terceiro Setor e as diretrizes estabelecidas pela ESCOLA ABERTA, as seguintes competências e habilidades devem ser estimuladas nos alunos pelos cursos:

  • Reconhecer e definir problemas, equacionar soluções, pensar estrategicamente, introduzir modificações no processo produtivo, atuar preventivamente, transferir e generalizar conhecimentos e exercer, em diferentes graus de complexidade, o processo da tomada de decisão;
  • Refletir e atuar criticamente sobre a esfera produtiva, sob seu controle e gerenciamento;
  • Ter condições de utilizar de maneira eficiente os recursos materiais e financeiros disponíveis para o exercício profissional;
  • Promover a percepção e consciência das implicações éticas do seu exercício profissional;
  • Melhorar sua capacidade de elaborar, implementar e consolidar projetos em organizações do Terceiro Setor e desenvolver novas organizações;
  • Desenvolver capacidade para realizar consultoria interna em gestão, pareceres e perícias administrativas, gerenciais, organizacionais, estratégicos e operacionais no âmbito de suas organizações;
  • Desenvolver uma formação humanística necessária ao exercício da liderança.

1.2.3      Política de Orientação

O incentivo à produção de conhecimento com qualidade, relacionado com o seu contexto nacional sem perder de vista a formação ética e cidadã do profissional envolvido com o Terceiro Setor.

Ênfase à formação generalista que permita o desenvolvimento de seus alunos, de modo multidirecional, engajando-os socialmente.

2.     DEFINIÇÕES PRELIMINARES

2.1       Público-alvo
Qualquer profissional que atue ou tenha interesse em atuar como dirigente, colaborador ou voluntário em fundações ou entidades associativas de cunho social.

2.2       Modalidade da Oferta
Os cursos serão ministrados à distância em ambiente virtual de aprendizagem de acesso restrito (plataforma Moodle).

2.3       Aplicação do curso e Inscrições
Os cursos serão ofertados no formato conhecido como cronograma aberto, que permite maior flexibilidade ao aluno e ampliação do tempo de oferta:

  • Inscrições podem ser feitas a todo momento, o que amplia a capacidade de captação de alunos.
  • O aluno realiza as atividades de acordo com o tempo que tem disponível para a realização dos módulos do curso. Esta é uma das principais características da modalidade EAD, o respeito ao ritmo individual de aprendizagem.
  • Para que a organização do curso seja preservada, são definidos critérios de tempo mínimo e máximo para realização dos módulos.

2.4       Processo de Inscrição e certificação
Como dito anteriormente, o interessado em ingressar nos módulos do Curso Agente do Terceiro Setor, poderá inscrever-se a qualquer momento, o que nos garante um período maior de captação de alunos.

O processo descrito a seguir, tem como objetivo automatizar o processo de inscrição nos cursos, de forma que possa ocorrer com o mínimo de envolvimento da equipe interna, que precisa estar 100% atenta ao desenvolvimento do conteúdo pedagógico e ao monitoramento dos alunos em curso.

Este mesmo processo automatiza, também, a emissão dos certificados de conclusão dos módulos, facilitando a obtenção do certificado para os alunos.

Vale destacar, ainda, que todos os processos de automatização descritos abaixo são nativos do ambiente LMS Moodle 2.8, o que facilita sua utilização pelos alunos.

2.5       Indicadores de qualidade dos módulos e cursos
O ambiente LMS Moodle nos permite registrar dados que, analisados com cuidado, auxiliam na melhoria dos módulos, do conteúdo e no modelo de oferta.

Utilizaremos os indicadores a seguir para garantir um processo de melhoria contínua em nossas ofertas:

  • Alunos inscritos x Alunos concluintes: número de inscritos em cada módulo, quantidade de alunos concluintes e evasão;
  • Desempenho: Gráfico e tabela das médias obtidas pelos alunos;
  • Fidelização: Relação de alunos que fazem novos módulos, com quantidade absoluta e porcentagem;
  • Atratividade: Módulos mais procurados, com quantidade absoluta e porcentagem, do maior para o menor;
  • Satisfação: Ao término de cada módulo, os alunos responderão a uma pesquisa, no próprio ambiente Moodle;
Qualidade do conteúdo
Acesso e navegação
Qualidade das webaulas
Formato do cursos e recursos
Qualidade da tutoria


3.     DIRETRIZES DIDÁTICO-PEDAGÓGICAS

3.1       Formato do curso Agente do Terceiro Setor

3.1.1      Duração:
O curso será organizado em oito módulos independentes, compostos por 20 aulas, com duas horas de duração cada, perfazendo 40 horas de estudos por módulo realizado.

Cada módulo de 40 horas será dedicado a um conteúdo ou disciplina que promovam a formação integral do gestor do Terceiro Setor e será composto de:

  • 10 horas de vídeos;
  • 5 horas de sondagem;
  • 14 horas de leituras complementares;
  • 6 horas de questões reflexiva;
  • 5 horas de avaliação.

3.1.2      Critérios Pedagógicos para Certificação

Ao término de cada módulo, o cursista pode imprimir seu certificado de participação, com aferição de carga horária cumprida e média de desempenho acadêmico, desde que tenha cumprido os seguintes critérios para aprovação;

  • Aproveitamento: acima de 75%;
  • Tempo mínimo: 30 dias;
  • Tempo máximo: 60 dias.

Após concluir os oito módulos do curso, que totalizam 320 horas, o aluno recebe o certificado oficial do Curso Agente do Terceiro Setor, via correio, assinado pela Fundação Escola Aberta do Terceiro Setor e pelas universidades parceiras.

O certificado exibirá:

  • Carga horária do módulo/curso;
  • Ementa da disciplina;
  • Conteúdo programático.

3.2       Fundamentação Pedagógica do Curso
Para falarmos sobre fundamentação pedagógica de aulas para cursos a distância, necessariamente precisamos falar sobre interatividade.

Aulas on-line precisam, necessariamente, oferecer doses equilibradas de interatividade, prática e reflexão, para que não se tornem apenas um vasto conjunto de conteúdos, sendo ofertados via tecnologia, mas alicerçado nas bases da mais tradicional das pedagogias.

3.2.1      Teoria da Modificabilidade estrutural cognitiva, de David Ausubel
As propostas escolanovistas, do fim do século XIX, trazem à luz a importância das pedagogias ativas, em que, para aprender, é necessária a ação do aluno, e já propiciam mudanças no quadro da educação.

Serão as teorias do biólogo suíço Jean Piaget, já no século XX, que aprofundam os estudos sobre como se desenvolve o pensamento, os aspectos cognitivos da aprendizagem e a importância da interação como elemento fundamental para aprender e construir conhecimentos.
O processo envolve elementos sociais, cognitivos e biológicos e ratifica o conceito do conhecimento como resultado de construção, possível a partir da interação do indivíduo com o meio, os objetos e com seus pares.
Os espaços virtuais, a interação em redes sociais e a possibilidade de acesso e produção de conteúdo, em qualquer lugar e a qualquer momento podem trazer mudanças significativas para esse contexto.

A construção de aulas interativas deve estar embasada em pressupostos teóricos claros para quem irá produzi-las e para os professores que as desenvolverão em sala de aula e os gestores que as acompanharão com os propósitos avaliativos.
Conhecer a gênese dessa proposta didático-metodológica não é uma exigência extravagante ou extemporânea, uma digressão ou variação desnecessária sobre o tema.

Aulas interativas trazem à luz pressupostos importantes alinhados ao paradigma emergente em educação que se sustenta nas teorias da complexidade, na exploração de uma epistemologia de construção do conhecimento cujas ações cognitivas são mediadas e medializadas na visão de competências sociais, relacionais e éticas de alunos sujeitos.

Esses pressupostos nos remetem às práticas operatórias em sala de aula, fundamentadas em teóricos contemporâneos, dos quais destaca-se o psicólogo americano David Ausubel.

Assim como Piaget, Ausubel é considerado um cognitivista, na medida em que tenta explicar o processo de cognição; e é construtivista, por assumir que a aprendizagem é um processo evolutivo em que o conhecimento é construído de maneira ativa pelo aprendiz.

Em seus estudos, o autor afirmou o papel fundamental da aprendizagem significativa, que afirma que aquilo que o aluno aprende deve, necessariamente, fazer algum sentido para ele.

Cada nova informação deve ancorar-se nos conceitos relevantes já existentes na estrutura mental do aluno.

O autor entende que a aprendizagem significativa se verifica quando as informações e os conceitos que o aluno traz, fruto da aprendizagem por descoberta e por recepção, se revelam.

A aprendizagem significativa se contrapõe à aprendizagem mecânica.

Para Ausubel o fator mais importante a influenciar a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já sabe e para que a aprendizagem significativa ocorra é preciso que haja a integração do novo material à estrutura cognitiva já existente.

Assim como os demais teóricos cognitivistas, incluindo Piaget, a mente do indivíduo possui estruturas em que a organização e a integração se processam.

Trata-se da estrutura cognitiva, o conteúdo total de ideias e sua organização.

Novas ideias e informações podem ser aprendidas e retidas à medida que conceitos, ideias ou proposições relevantes e inclusivos estejam adequadamente claros e disponíveis na estrutura cognitiva do indivíduo e funcionem, dessa forma , como “ancoradouro” para novas ideias, conceitos ou proposições.

Nesta perspectiva, Ausubel propõe o uso de organizadores prévios, concebidos como “ancoradouro provisório” para a nova aprendizagem, que levem ao desenvolvimento de conceitos, ideias e proposições relevantes que facilitem a aprendizagem subsequente.

São materiais introdutórios úteis para facilitar a aprendizagem na medida em que funcionam como “pontes cognitivas”. Eles podem ser expositivos, quando o aluno nada conhece do assunto, podem ser comparativos, quando há conhecimentos na mesma seara abordada, entre muitas outras possibilidades.

Os elementos em que os novos conhecimentos se ancoram, na estrutura cognitiva do indivíduo são chamados de subsunçores, tradução do termo inglês subsunsor, relevante.

Eles são os aspectos preexistentes da estrutura cognitiva em que se articulam os novos conhecimentos e, numa condição dinâmica, também se modificam quando das novas interações.

Subsunçores adquirem novos significados e se diferenciam, fruto da interação com novos conceito, tornando-se mais estáveis.

Ter consciência de como os processos cognitivos se operam, conhecer as estruturas e conhecimentos que os alunos já têm (subsunçores) assim como conhecer e lançar mão dos organizadores prévios possibilitando aos alunos que construam os seus conhecimentos de maneira significativa, são elementos fundamentais no processo de ensino-aprendizagem.

Para tanto, estão em linha a ação do professor, a qualidade e as metodologias de trabalho com os diferentes materiais e recursos tecnológicos e a disposição do aluno para aprender.

A prática pedagógica operatória, fundada nas ideias de Ausubel integram os seguintes elementos básicos:

A sondagem, que envolve a busca dos conhecimentos prévios dos alunos, experiências, habilidades hipóteses e representações que trazem.

O exposição do novo conteúdo, por meio das diversas estratégias que possibilitem articulá-lo aos conhecimentos prévios existentes (exposição, leitura, jogos).

A sistematização, que envolve a organização dos conhecimentos tratados (pesquisados, produzidos, articulados) sob a forma de sinopses, resumos e sumários.

A problematização em que o “conflito cognitivo” é incorporado ao processo gerando questões, discussões proposição de hipóteses.

A generalização, para além do contexto da aula buscando aplicações, articulações e também relações com a vida prática e a sua melhoria.

E, finalmente, a avaliação processual, que permite analisar o desempenho do aluno e promover os avanços necessários.

Para além da aprendizagem mecânica, atrelada simplesmente à ação interna de memorização, a aula operatória se compromete com a busca de sentido, pela ação e por meio do pensamento reflexivo e criativo do aluno.

As aulas on-line interativas, quando desenvolvidas respeitando os aspectos das aulas operatórias, ultrapassam a mera transposição de aulas presenciais para o meio digital.

A aula operatória deve sustentar-se em etapas que respondam aos pressupostos apresentados.

Essa organização coloca parâmetros para os elementos essenciais à qualidade dos procedimentos e localiza os aspectos estruturantes para a indicação das ações cognitivas esperadas dos alunos.

As teorias de Ausubel foram, ao longo dos anos, revistas e atualizadas.

Elas são, inclusive, a base conceitual da metodologia dos Mapas Conceituais, proposta por Joseph Novak, que propiciam o registro visual das relações entre conceitos, nos processos de aprendizagem e de construção de conhecimentos.

A sua atualidade reside na importância de considerar o aluno nas suas diversas dimensões, como ser que traz experiências e conhecimentos a partir dos quais é possível trabalhar para alcançar e adquirir novos conhecimentos.

Isso se faz no contexto de interações com pessoas e objetos tendo como foco as aprendizagens significativas.

Longe de se constituírem como limite ao trabalho do professor as aulas on-line são os meios de transcender limites de tempo e de espaço rumo a uma educação permanente, mobilizadora do interesse do aluno, desde que utilizada de maneira adequada.

3.2.2      Trilha de Aprendizagem
Embasados na teoria acima descrita, desenvolvemos o modelo de aulas que apresentamos a seguir.

Importante ressaltar que a trilha de aprendizagem traz segurança ao aluno com pouca experiência no ambiente digital, uma vez que favorece a sistematização das ações, de forma a evitar erros e desconfortos na navegação e acesso aos conteúdos.

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1.2.2      Teoria x Trilha de Aprendizagem – Comparativo

A tabela abaixo apresenta o comparativo entre a Teoria de da Modificabilidade Estrutural Cognitiva, de David Ausubel, e as seções desenvolvidas para aulas dos módulos e cursos.

Observa-se que cada uma das etapas de teoria de Ausubel foi utilizada para compor o que chamamos de aspectos estruturantes da aula que, por conter todas as etapas na ordem sugerida por Ausubel, pode ser chamada de Aula Operatória.

Vale ressaltar que as seções indicam o caminho que o aluno deve percorrer.Por esta razão as denominamos de Trilha de Aprendizagem.

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