23.06

2017

Liderança e a empresa “EU SA”

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  1. Introdução

Intuitivamente alguns de nós acreditam que a liderança nata; aquela ideia de que somente pessoas que “nasceram” com o dom para liderar não poderiam desenvolver habilidades para tal. Esta crença, estabeleceu por longo período a percepção equivocada sobre as competências, habilidade e atitudes daqueles que dirigem um time.

Ao chefe bastava saber controlar seus funcionários, exigindo deles obediência e estes realizavam tudo quando ele ordenasse, diante da conduta “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, mantendo com prioridade, a organização no ambiente de trabalho e submissão às ordens unilaterais. Foi assim até as décadas de 1970 e 1980, que devido ao aumento da concorrência, nova ordem sobre o capital humano; suas novas necessidades e demandas, as empresa sentiram a necessidade de aptidões a mais do que as oferecidas pelo “chefe”, surgindo a figura do líder, que sabe influenciar seus colaboradores tornando-os uma equipe capaz de trazer grandes resultados à organização, vendo-os como seres humanos, parte integrante da empresa e não como simples “número” ou ativo dela.

A constatação que fica é que não formamos, devidamente, líderes efetivos para os dias de hoje. Formamos (se formamos) para 20 ou 30 anos atrás. As empresas falavam pouco em resultado e a competição era bem menor do que nos dias atuais. Desta forma, as decisões eram centralizadas e formávamos líderes que obedeciam.

E o líder deste novo cenário é bem diferente daquele que liderava no cenário anterior. Este é arrojado, criativo, corre riscos, questiona, quer autonomia, incomoda os líderes do passado, que insistem em formar pessoas como eles foram obedientes. Em geral, não formamos pessoas para comandar, formamos pessoas para serem comandadas e, quando queremos que este comande (o líder precisa fazer isto hoje), fica complicado; não dá. Aí não demitimos porque é “prata da casa”, é antigo, de confiança e a ineficiência está instalada.

Também impactados pela herança emocional deixada pela figura de um “chefe”, muitas vezes nos remetemos aos líderes como quem está à frente de um grupo de colaboradores, na maioria das vezes, operários, funcionários de uma determinada organização. Esta sempre foi uma visão do senso comum! Mas, na verdade, o conceito de liderança é bem mais amplo: encontramos líderes em diversos lugares; não só na indústria, mas nas demais empresas (com ou sem fins lucrativos, de vários segmentos e portes), nas escolas, nos hospitais, nas universidades, no comércio e até em nossos lares, apesar de algumas vezes, parecerem ocultos.

  1. CONCEITUAÇÃO

E você? Se considera um líder?

Falar de liderança, aliás, requer um exercício da nossa memória em buscar nossos aprendizados , refletir sobre nossas escolhas e alimentar nosso repertório para tomada de decisão. Gosto de pensar que na nossa educação está a base para uma liderança eficaz. Posso ter tido bons exemplos e seguí-los, mas ainda posso ter tido maus exemplos e ainda escolher o que não quero ser ou reproduzir.

Enquanto pais, por exemplo, aprendemos as habilidades de criação dos filhos que podem ser aplicadas ao ambiente de trabalho e as lições de liderança que podem ser aprendidas no dia a dia com as crianças. Com elas aprendemos, por exemplo:

–  a fazer várias tarefas ao mesmo tempo e a desenvolver a habilidade de agir em meio a constantes distrações;
– melhoramos  as habilidades interpessoais, desde negociar de maneira efetiva até lidar com pessoas difíceis;
– desenvolvemos a habilidade de motivar e encorajar os outros;
– apuramos nosso senso de justiça e integridade, entre muitos outros benefícios.

Já enquanto filhos, é “em casa”; na escola mais importante da vida, que  aprendemos a desenvolver nossas habilidades intelectuais, sociais, psicológicas, morais, afetivas e até mesmo ambientais, para conquistar nosso espaço na sociedade. E o impacto desses aprendizados é grandioso no líder que nos tornaremos no futuro.

Para exemplificar este impacto, costumo questionar nas imersões em Liderança, ao tratar do Líder Integral, como os participantes complementariam as seguintes frases:

  • Minha mãe me ensinou que líderes são…
  • Meu pai me ensinou que líderes são…
  • No primário me ensinaram que líderes são…
  • Quando adolescente eu via líderes como…
  • No ginásio aprendi que líderes são…
  • Com meus antigos chefes aprendi que líderes eram…
  • Em meu papel como líder descobri que liderança é…

É o aprendizado intrínseco nas nossas referências que influenciam a nossa forma de ver o mundo, as pessoas, as organizações, o planeta. Portanto, sua liderança tem a ver com seu repertório, suas experiências e aprendizados. Estarmos conscientes deste cenário nos dá o livre arbítrio para escolhas mais assertivas ao longo da vida.

Com o passar dos anos, o papel do líder sofreu atualizações, passou por diversas modificações, a ponto da velocidade das mudanças exigir um novo perfil de liderança.

Recapitulando a história, podemos perceber que na Antiguidade as pessoas que assumiam a figura de líder/chefe de um grupo (ou nação) era uma pessoa que detinha o dom para exercê-lo, e esta liderança era geralmente  atribuída através da hereditariedade; já na atualidade é sabido que liderar é uma habilidade, característica ou qualidade pessoal que pode ser nata no indivíduo, mas também pode ser desenvolvida, despertada ou até mesmo treinada.

E a pergunta retorna: Você se considera um líder?

Aqui entra o conceito da “Empresa EU SA”.

Nesta empresa eu sou “dono (a)”; nela posso e devo me autoliderar.

Quem não consegue administrar a empresa EU SA e liderar a própria vida, dificilmente conseguirá  liderar algo ou alguém.

Vou mais além, por definição, deveríamos liderar com maestria a nossa própria vida e, consequentemente, liderar a própria carreira! Esta é uma atribuição indelegável do líder!

Na era da empresa “EU SA” liderança deixou de ser cargo ou posição e passou a ser influência, autoridade, exemplo, referência, respeito, confiança, saber engajar, acompanhar e cobrar, formar seguidores e, principalmente, formar novos líderes.

Este é o motivo pelo qual muitas vezes identificamos líderes que não ocupam cargo, mas que “arrastam multidões”. Esta é a liderança genuína!

Somando a este contexto, vale lembrar que toda empresa “é a cara do dono”; assim como todo departamento é ” a cara do líder”. Portanto, gosto também da reflexão “Como está a cara da empresa EU SA; aquela que leva meu nome e sobrenome”? Que poderia ser traduzido para “Qual o meu legado”?

Fazendo uma analogia com o mundo empresarial, o dono do negócio é o maior responsável pelo desempenho da empresa e de seus colaboradores. Se ele não contribui para oferecer as diretrizes eficazes, as metas jamais poderão ser alcançadas e as pessoas dificilmente serão desenvolvidas no seu talento.

Limitações individuais, muitas vezes não compreendidas em si, são imputadas ao outro, originando daí a raiz dos problemas nas interfaces humanas. Os gestores, por mais conhecimento técnico que detenham, sofrem diante do desafio de diminuir confrontos e imprimir qualidade às interfaces humanas em garantia do engajamento dos colaboradores e compromisso com o alcance dos resultados. E com o passar do tempo, alguns deles vão se desmotivando em função da falta de perspectiva, da dificuldade de concretizar seus objetivos e cansados de tentar estilos diferentes de gestão, procuram promover, por iniciativa própria, mudanças estruturais nas organizações onde atuam, as quais muitas vezes ficam sem eco.

Frente a este cenário, é prudente que haja um investimento no desenvolvimento de habilidades que capacitem as novas lideranças a lidar melhor com suas necessidades para que consigam acolher também as necessidades daqueles com quem convivem e a quem lideram. Para ter sucesso, todo líder, na condição humana, precisa, sobretudo, legitimar suas próprias percepções e sentimentos e permitir-se compreendê-los para, então, conquistar a condescendência.

Tudo o que você faz e não faz, tudo que você fala e deixa de falar, tem impacto na vida das pessoas! Deixamos marcas e somos marcados, pelo outro, pela empresa, pelo meio ambiente, pelo universo.

Quando exercitamos a liderança integral e trabalhamos em prol da empresa “EU SA”, impactamos nosso time na mesma proporção e os resultados crescem exponencialmente na empresa, na nossa vida pessoal e profissionalmente.

Ao imprimir um legado, deixando rastro da empresa “EU SA”, o líder impacta no engajamento do time e vice-versa. Ou seja,  ao termos um time que funciona  como uma engrenagem, melhoramos muito os resultados da empresa e nossa qualidade de vida!

Segundo o Instituto Gallup, empresas com alto nível de engajamento aumentam em 19% as receitas das operações e em 28% os lucros líquidos. Em contrapartida, empresas com baixo nível de engajamento apresentam queda de 32% nas receitas das operações e 11% nos lucros líquidos.

Entendendo que um problema não pode ser resolvido no mesmo nível de consciência em que foi criado, da mesma forma, precisamos de líderes com um nível de desenvolvimento acima do nível de quem criou os problemas, líderes capazes de gerenciar paradoxos, como equilibrar crescimento com sustentabilidade, o curto prazo com o longo prazo, estabilidade com mudança, estimulando equipes que se complementam independente das divergências das gerações, entre outros aspectos.

Você não pode mudar sua vida, nem a forma como trabalha, sem mudar o que está dentro de você! Esta é a metodologia que defendemos na EA Escola de Líderes: primeiro o ” EU”, depois o “NÓS” e , consequentemente, os “RESULTADOS”.

Portanto, sua atitude como líder impacta na atitude dos que estão à sua volta, que impacta nos resultados da empresa.

Este é o princípio da liderança atrelado ao conceito da “Empresa EU SA”.

Qual o seu legado?

Não podemos deixar que sobrem vagas, que faltem líderes e perdermos talentos.

  1. CONCLUSÕES

LIÇÃO Nº 1

“Não delegue a terceiros a responsabilidade da sua carreira”!

Comece por você; pela empresa “EU SA”! A carreira é sua!

LIÇÃO Nº 2

“Capacidade técnica tem que ser desenvolvida na mesma proporção do desenvolvimento comportamental”!

Liderança é ser além de excelente técnico, ser exemplo, sair da “zona de conforto”, ser atuante na liderança situacional e participativa. Ter compromisso com o resultado da empresa; ser mais planejador e direcionador, do que executor. Entender o princípio de que “nenhum de nós é mais importante do que todos nós juntos”.

LIÇÃO Nº 3

“Tudo o que você foca, aumenta”.

O líder integral, que sabe administrar a empresa “EU SA”, foca nas soluções e não nos problemas.

LIÇÃO Nº 4

” Mudança é uma porta que se abre por dentro!

Motivação não vem da empresa, é sua! É o motivo que te leva à ação!

Pergunte-se: “Qual o melhor momento para mudar?” E comece hoje mesmo!

LIÇÃO Nº 5

” Sobre a SORTE”!

Lembrando que sorte é estar preparado para a oportunidade quando ela aparecer e parafraseando Coleman Cox, “Eu acredito demais na sorte. E tenho constatado que, quanto mais duro eu trabalho, mais sorte eu tenho”.

“Nós somos o que fazemos repetidas vezes. Portanto, a excelência não é um ato, mas um hábito.” Como já dito por Sócrates.

  1. FINALIZANDO

Ainda que tenhamos resistência por parte de alguns “chefes” ainda presentes no mercado, sabemos quão retrógrado é esta conduta e qual improdutiva e desmotivadora é, quando o mundo estabeleceu novos critérios nas relações organizacionais; determinando cada vez mais a necessidade de líderes efetivos entre nós.

O líder está à frente dos colaboradores representando os interesses da organização e está à frente da empresa, expondo os desejos dos colaboradores; é um espelho de duas faces e, portanto, deve conhecer, além de tudo, o código de ética, para que saiba equilibrar os interesses de ambas as partes, tratando a todos com justiça, independente do cargo ocupado, já que na empresa “EU SA”, não ocupamos mais cargo, nem posição. Somos exemplos!

Dicas atemporais:

  • Pare de jogar; de escutar coisas que estão “fora”. Escute o que está dentro! O “jogo” é interno! A carreira é sua!
  • Esteja comprometido(a) com você, no seu desenvolvimento!
  • A empresa tem responsabilidades junto ao seu plano de Carreira, mas você tem responsabilidades indelegáveis!
  • Tenha MINDSET POSITIVO;
  • Desenvolva sua CAPACIDADE DE ADAPTAÇÃO: As coisas mudam todos os dias, acompanhe-as!
  • Tenha CABEÇA DE DONO: pense em soluções em tempo integral e faça valer a pena seu tempo dentro da empresa, nas horas de trabalho, nos relacionamentos.
  • Busque OPORTUNIDADE:  ela está mais perto do que a gente imagina! Dedique-se a buscá-la! Persiga-a! Ela está por toda parte!
  • COMPARTILHE: Saber não é suficiente, é preciso compartilhar! Forme novos líderes!
  • Cuide da empresa “EU SA” !
  • Seja líder, não chefe!
  • Seja um líder integral! Tenha sucesso, mas acima de tudo, seja feliz!

Eliana Araújo Formada em Publicidade e Propaganda pela PUC – Campinas, pós-graduada em Gerência de Marketing pela ESPM e MBA em Comportamento do Consumidor pela PUC – SP. É Personal & Professional Coach pela Abracoach (Academia Brasileira de Coaching), Executive & Leader Coach pela Behavioral Coaching e Mentora para Liderança pelo Instituto Sidnei Oliveira, além de ser professora universitária há 20 anos.

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